Seu corpo era constantemente lançado para cima, apenas para ser puxado de volta ao assento pelo cinto de segurança. Olhando pela janela do avião, só era possível ver relâmpagos incessantes, ouvir a chuva torrencial batendo no casco da aeronave e o estrondo dos trovões. E pior: o avião em que viajava era uma sucata com pelo menos vinte anos de idade, o que fez com que, pela primeira vez, Gao Yang se arrependesse da decisão de ir à África.
A aeronave precária, somada ao clima mortal, fez Gao Yang sentir que seus vinte e três anos de vida poderiam ter um fim ali mesmo. Curiosamente, ele não estava em pânico, apenas queria saber onde estava, ou sobre qual região voava. Achava que, mesmo que morresse, deveria ao menos saber o lugar de sua morte.
Gao Yang virou-se para perguntar ao guia ao seu lado se sabia onde estavam, mas logo desistiu; o guia estava desesperado, traçando freneticamente cruzes no peito e rezando com voz rouca. Gao Yang achou melhor não interromper.
A cabine, que comportava apenas vinte pessoas, estava completamente tomada pelo caos. Todos estavam em desespero, e até os dois funcionários da empresa de caça, que antes tentavam acalmar os passageiros, agora choravam mais alto que todos.
Naquele momento, Gao Yang era o mais calmo de todos, mas sua serenidade não durou muito. Medo, desespero, arrependimento, todas as emoções o invadiram de uma vez. Pensou especialmente em seus pais, e, finalmente, não pôde evitar: começou a chorar em voz alta.
O que mais aterrorizava Gao Yang não era a morte iminente, mas sim imaginar como seus pais