Sou comediante em Tóquio

Sou comediante em Tóquio

Autor: Lanterna Que Rompe o Casulo
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Um entusiasta moderadamente recluso de programas de entretenimento, renasce em 2020 num Japão de um mundo paralelo e, em meio ao cenário repetitivo e decadente da indústria cultural japonesa contempor

Capítulo Um: O Artista Novato

23 de abril de 2020, Tóquio, Japão. No camarim reservado para o programa da equipe do Vento Cômico, organizado pela TV Asahi, Júnior Tadamichi massageava com força os pontos entre os olhos.

Ele tinha 1,78 metro de altura, corpo robusto, ostentava cachos úmidos que pareciam sempre cobertos de vapor. Era desleixado e sem energia, mas seus olhos eram alongados, o nariz curto e levemente arrebitado. No conjunto, uma aparência um tanto ingênua e discreta.

O problema é que o gordinho simpático vestia um terno largo, inadequado, e exalava uma aura melancólica, nada cativante. Com essa imagem, Rio Kawahara compreendia perfeitamente por que Júnior Tadamichi adotava a persona deprimida como artista cômico.

Sim, Rio Kawahara — ou melhor, o atual Júnior Tadamichi.

Embora já tivesse passado uma semana desde sua chegada, Rio ocasionalmente ainda se sentia confuso com a própria identidade.

Antes, era apenas um funcionário comum de 29 anos, fã de programas japoneses e coreanos, vivendo na China. Num piscar de olhos, sua identidade fora trocada com a de um artista cômico japonês da mesma idade, em um mundo paralelo.

“Uma reencarnação sem aviso, como um artifício de terceiro escalão usado só para mover a trama,” pensou Júnior, sorrindo amargamente.

Massageou as sobrancelhas mais uma vez, tentando organizar mentalmente sua nova vida antes da gravação.

Júnior Tadamichi, 29 anos, comediante vindo de Osaka, vinculado à Agência Matsuyoshi, membro do duo “Mosquitos Vegetarianos”, cuja parceria era com Takeshi Fujiwara.

A Matsuyoshi é um

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