No primeiro dia em que Gao Su'e atravessou para outro tempo, ela ainda não teve tempo de pensar em como enriquecer na antiguidade, e já foi enviada ao palácio imperial para trabalhar como uma simples
— Segunda irmã, cuide-se bem nesta viagem...
Gao Su’e ergueu o olhar para a mulher que falava. O tom e o sotaque dela não eram de língua comum, pareciam antes um dialeto estranho que ela jamais ouvira. No entanto, curiosamente, Gao Su’e compreendia perfeitamente o sentido de suas palavras.
A mulher vestia roupas de linho grosseiro, sem sequer usar uma saia por cima; sobre as calças, trazia apenas um avental pardo. Era, na memória de Gao Su’e, o típico traje dos pobres da antiguidade... Mesmo entre entusiastas de vestimenta histórica, algo assim seria raro, pensou, deixando-se levar pela própria imaginação.
— Mulher, por que choras? A jovem está partindo para salvar a própria vida — interveio uma voz masculina.
Gao Su’e virou-se para procurar a origem da fala. Era um homem de roupas de seda verde, com chapéu ornado por flores presas na aba — e então, de súbito, ela entendeu o que estava acontecendo.
Ela havia morrido...
Gao Su’e fora uma pessoa comum até receber o diagnóstico de uma doença incurável. Durante o tratamento conservador no hospital, percebeu o quanto desejava viver. A vida comum, da qual nunca se importara, agora lhe parecia preciosa; queria apenas viver mais, mesmo que só um pouco. Por vinte anos, foi uma descrente, mas, ao se aproximar da morte, passou a rezar diariamente com fervor.
Se houver outra vida, só desejo ter um corpo saudável... Quando mergulhou no último coma, sentiu que a morte se aproximava, e esse pensamento turvou-se em sua mente.
Então, será que havia renascido em outro tempo? Sentia que sua p