A jovem senhora da família Shi retornou à capital Mingdu, mas ninguém sabia que quem voltava era uma impostora; o verdadeiro paradeiro da filha era desconhecido, viva ou morta. Disfarçada como a herde
“Eu sou a verdadeira Shi Nian. Que direito você tem de vestir minhas roupas, ocupar meu lugar e tocar meu piano?”
No salão de festas repleto de convidados, uma voz feminina cheia de autoridade fez todos se virarem ao mesmo tempo. Havia espanto, perplexidade e, acima de tudo, choque em seus olhares. A música cessou abruptamente.
Uma delas, trajando um vestido de princesa em lilás claro, maquiagem impecável, permanecia erguida na plataforma com uma taça de vinho tinto em mãos, pose serena e elegante. Ao ver a outra, seus olhos tornaram-se frios, distantes da cordialidade de instantes atrás.
A outra, vestida com camiseta branca e jeans, sem maquiagem, os longos cabelos negros presos em um coque, mantinha-se entre a multidão. A confiança e o orgulho moldados desde a infância faziam os presentes esquecerem seu traje simples. Ao encarar quem estava no palco, seus olhos transbordavam raiva e aversão.
Tinham o mesmo rosto, mas naquele momento transmitiam sensações opostas.
“Acho que podemos encerrar essa farsa mais cedo. Concordam?” Parecia consultar, mas, ao fim da frase, pousou a taça sobre o piano e virou-se, afastando-se decidida e orgulhosa.
“Não vá!”
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Ano 34 do século XX, vigésimo sétimo dia do último mês, Míngdu, neve intensa caía como plumas de ganso. A vegetação ao longo das ruas estava encoberta por uma camada espessa de branco, tornando impossível ver o que havia por baixo. Lanternas vermelhas, símbolo do Ano Novo, pendiam dos postes, destacando-se como pontos de cor em meio à neve.
Nas ruas, viam-se tratores remo